sexta-feira, 11 de maio de 2018

Uma carta aberta sobre treinadoras


Pau Gasol | San Antonio Spurs


Eu só gostaria de falar algo sobre meus pais.

Eu fui criado nos arredores de Barcelona, filho de dois grandes profissionais. Meu pai era um enfermeiro e minha mãe, uma doutora. Naturalmente, eu estudei ciências – e depois do ensino médio eu até fiz um ano de medicina, antes de eventualmente me dedicar totalmente ao basquete. Ás vezes penso o que teria acontecido se eu continuasse no ramo da medicina e seguisse os passos dos meus pais.

Eu me lembro de quantas vezes as pessoas se confundiam dizendo que meu pai era o médico e minha mãe a enfermeira – isso acontecia mais do que deveria, na minha cabeça. Para mim, minha mãe era uma doutora de sucesso... era só isso. E não me leve a mal: Eu admiro o trabalho duro do meu pai também. Mas cresci sabendo que minha mãe entrou numa rigorosa escola e faculdade, por isso teve um trabalho mais proeminente. Isso não era estranho, ou algum tipo de julgamento. Era somente a verdade. E nós nunca pensamos nisso duas vezes.

Crescendo, meus irmãos e eu, sempre admirávamos essa postura dos nossos pais.

E agora que sou um adulto, e pensando em ser um pai num futuro próximo, eu percebo como fui sortudo de ter sido criado num ambiente assim. É um ambiente onde apenas uma pergunta precisa ser feita – não é sobre você ser o “tipo certo de pessoa” para o seu trabalho. Invés disso, é sobre o quão bem qualificado você é para este trabalho.

Em 37 anos, eu posso honestamente falar que, eu nunca pensei na minha mãe como uma doutora “feminina”.

Para mim, ela sempre foi apenas... uma doutora.

E uma das melhores também.
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A razão pelo qual eu comecei falando para vocês sobre meus pais, é que a história deles me lembra muito do que está acontecendo na NBA hoje em dia. Especificamente sobre, nos 72 anos de liga, como nunca tivemos uma técnica na NBA. Ainda mais especificamente, me faz pensar na Becky Hammon: uma técnica que está sendo o centro de várias discussões ultimamente, e quem eu tive a oportunidade de jogar para em San Antonio.

Mas se você acha que estou escrevendo isso para argumentar sobre se a Becky é qualificada ou não para ser uma técnica na NBA... bem, então está enganada. A parte óbvia é que: Primeiro, ela foi uma excelente jogadora – com a mente de uma armadora de elite. E segundo, ela foi assistente técnica para o talvez melhor técnico da história. O que mais você precisa? Mas é como eu disse – Não estou aqui para fazer esse argumento. Falar em nome da treinadora Hammon seria muito paternalista. Para mim, seria estranho se times da NBA não estivessem interessados nela.

O que eu gostaria de fazer, é acabar com alguns argumentos fracos sobre a capacidade da treinadora Hammon – e a sobre a idéia de uma técnica na NBA – que eu vi por ai.

O argumento que eu vejo mais vezes é o mais fácil de se derrubar: é a idéia de que, no nível mais alto de basquetebol, uma mulher não pode treinar homens. “Isso, técnicas conseguem treinar no basquete universitário feminino ou na WNBA,” e o argumento continua. “Mas na NBA? A NBA é diferente.”

Primeiro, eu preciso falar uma coisa: Se você esta fazendo este tipo de argumento para alguém que realmente já jogou em qualquer basquete de alto nível, você só vai parecer bem ignorante. Mas eu ainda tenho uma resposta mais simples – que é que eu estou na NBA a 17 anos. Eu ganhei 2 titulos... Eu joguei com alguns dos melhores jogadores desta geração... e joguei para duas das mentes mais brilhantes na historia dos esportes, Phil Jackson e Gregg Popovich. E eu posso te garantir: Becky Hammon consegue dirigir um time. Não estou falando que ela consegue treinar muito bem. Não estou falando que ela consegue treinar mais ou menos. Não estou falando que ela quase consegue treinar no nível dos treinadores masculinos da NBA. Estou dizendo: Becky Hammon consegue treinar uma equipe da NBA. Ponto.

Vou te dizer uma historia rápida pra ilustrar meu ponto. Esse ano, num treino alguns meses atrás, eu estava treinando pick-and-roll com o Dejounte Murray. Era um treino normal, só nos dois sozinhos numa das cestas: Eu fazia a parede e ou iria para o arremesso ou iria para o garrafão. Se eu fosse pro arremesso, Dejounte me daria um passe no peito. Se eu fosse pra bandeja, um passe picado. Como eu disse, muito básico – nós fazíamos isso um milhão de vezes.

Mas o que eu lembro desse treino em especifico, é que em algum ponto, a treinadora Hammon nos parou no meio do ataque. Os técnicos Hammon, Borrego e Messina vieram, e a Becky disse pro Dejounte, “DJ, OK – seu passe picado? Está muito baixo. Você tem que acertar o ele exatamente onde é necessário.” Então depois nós conversamos sobre como eu precisava da bola um pouco mais precisa, com um pouco mais de jeito, para que eu conseguisse uma chance maior de pontuar no garrafão. Então nós repetimos esse movimento algumas vezes, mudando de lado na quadra. É claro que, Dejounte sendo Dejounte, ele aprendeu rápido – e num instante nós estávamos excelentes naquilo. Mas alguma coisa sobre aquele treino grudou comigo. Apenas, como... o nível de conhecimento do jogo que a Becky mostrou, entende?

Ela percebeu um pequeno detalhe com o canto do olho – e instantaneamente já soube o problema e a solução. Não apenas isso, mas nós também conseguimos nos comunicar de um jeito que nós chegamos no resultado preciso. É um bom lembrete, eu diria, da importância de uma boa comunicação entre membros do time – especialmente no nível da NBA. Eu acho que não peguei um passe mal feito pelo resto da temporada.

Outro argumento que eu vi sendo feito – talvez até mais idiota que o ultimo – é que a Becky subiu para sua posição atual por que ter ela no time faria uma “boa impressão do setor de Relações Públicas do Spurs”.

O que?

É sério: O que?

Não. Nós estamos falando na NBA aqui – um lugar onde muito dinheiro está em jogo, e pouco tempo para mediocridade. Também estamos falando do San Antonio Spurs, uma das franquias mais vencedoras deste século: um sistema que produziu David Robinson, Tim Duncan, Manu Ginobíli, Tony Parker – e estes são só os do Hall da Fama. Esse é um time que ganhou 50 ou mais jogos por 18 temporadas seguidas, e 5 títulos nos últimos 20 anos.



Você realmente espera que o Pop desenvolva sua comissão técnica diferente dos seus jogadores? Claro que não.

O único motivo para o Pop fazer algo é saber se isso vai nos ajudar de apenas um modo... e isso não é ganhar boa impressão do R.P.

É ganhar. E ganhar do jeito dos Spurs.

OK – e tem mais uma coisa. É quase estúpido colocar isso aqui... mas ao mesmo tempo, por outro lado, eu acho bem importante. E chega a algo sobre esta liga, no grande plano, que eu estou pensando bastante recentemente.

E é a idéia de que, se tivesse uma treinadora na NBA, existiria algum tipo de “estranhamento no vestiário.”
Talvez você esteja rindo para si mesmo lendo isso. E eu entendo. É ridículo. Mas acho que é importante levar a serio, por um momento – só em termos de quão vergonhoso é para essa liga, ter pessoa que realmente pensam assim.

Primeiro, a idéia em si: Então, é um mito. Me da um tempo. Não tem nada para dizer sobre. Os jogadores se vestem em um lugar, a comissão técnica em outra. OK? E sim, dentro da parte dos técnicos, Becky tem seu espaço privado. Mas o ponto é – você não vê o técnico compartilhando do mesmo espaço que os jogadores enquanto se trocam. Isso não acontece. Então tudo que eu posso lhe falar é que, tendo uma década e meia de experiência pessoal... essa linha de pensamento – como eu disse, isso tudo é vergonhoso. Em termos de vestiário e de pro trás da cena, não existe uma diferença pratica entre ter um treinador ou uma treinadora nessa liga.



Mas também acho que isso vai mais fundo, quando as pessoas fazem esse argumento – de um jeito que realmente me incomoda. Vai para essa idéia de que... enquanto nós estamos fazendo todos esses importante avanços na nossa sociedade, em termos de aumento da nossa inclusão social, e fazendo esforços para idéias de igualdade e diversidade, criando um mundo mais inclusivo... por algum motivo, os esportes deveriam ser um exceção. É essa idéia, para algumas pessoas, que os esportes deveriam ser este abrigo, onde é OK ter a mente fechada – como uma bolha para toda nossa ignorância. E nós sendo atletas, se tivermos algum problema com o jeito como as coisas são, devemos (como eles dizem) “ficar apenas com esportes”.

Então quando eu vejo argumento – ou até piadas – de que não devemos ter treinadoras na NBA por causa das “situações de vestiário” ou qualquer coisa... Eu acho que isso me lembra, que por mais que nós tenhamos avançado tanto nessa liga nos últimos anos... ainda temos muito para mudar. Por que, vamos ser reais: Existem incentivos para diversidade de gênero no trabalho em basicamente toda indústria no mundo. Mais importante – é o certo. E a NBA ainda deveria ter um passe livre só por que alguns fãs querem pegar leve com nós?... por que somos “esportes”?

Realmente espero que não.

Espero que a NBA nunca se sinta satisfeita em ter pensando avançado “para uma liga de esportes”. Vamos nos esforçar em ter o pensamento mais avançado do que qualquer outra indústria.

Semana passada, não sei se você viu, mas o Suns contratou o primeiro técnico nascido na Europa da historia da NBA, Igor Kokoškov.

De qualquer maneira, isso foi uma noticia muito legal para a liga. Mas num nível pessoal... cara, vou ter que te falar: foi um momento especial pra mim. São 17 anos desde que fui escolhido no draft – e ainda posso lembrar de comentários na época. Era tipo, Ah, não... vocês não podem escolher um europeu com a terceira escolha. É loucura. Talvez no fim do primeiro round, sim. O garoto tem potencial afinal de contas. Mas top 5??? Top cinco... eles estão procurando por um jogador de franquia. Alguém com instinto assassino, e capacidade de liderança. E esses europeus – eles são moles, cara. Não, você não pode pegar esse cara com a terceira escolha.

E é claro que eles me pegaram com a terceira escolha. Agora, você vê que jogadores europeus são cotados alto no draft todo ano. É só bem ordinário. Esse ano, com Luke Dončić, quem sabe – talvez outro numero 1 vindo da Europa.

E esta sendo o mesmo com técnicos. No começo, nenhum time na liga estava afim de assistentes estrangeiros. Mas alguns times inovaram e começaram a fazer... e tiveram sucesso. E então você vê outros times fazendo o mesmo. E agora, Igor tem o trabalho de comandar o Suns.

E eu não quero comparar Igor com a Becky, por que não acho que é a mesma coisa. Mas eu penso que isso é lindo, sabe, ver a NBA começar a ver o resto do mundo. Por que é um mundo grande, né? E eu penso que todo momento que você expande seu horizonte, para algo novo e significativo... só pode te fazer uma pessoa melhor.

E também é por isso que eu estou tão feliz em ver esta liga estar à frente de tantos problemas importantes. E vejo que estamos nos juntando por algo tão importante como o Black Lives Matter (Vidas Negras Importam)... Vejo quando caras como o DeMar (DeRozan) e o Kevin (Durant) falando e sendo abertos quanto os seus emocionais... Vejo quando pessoas como o Adam Silver, nosso comissário, marchando numa parada LGBTQ... Vejo quando MVPs como Steph e LeBron mostrando para o mundo que ninguém é famoso demais para usar suas redes sociais para defender o que acreditam... e é claro, vejo quando uma franquia como o Bucks esta dando a oportunidade de uma entrevista para o lugar vacante de treinador principal para um candidato que – homem ou mulher – absolutamente merece.

Eu vejo isso em todo lugar na liga hoje, e me enche de orgulho.



Por que pra mim, esta liga – é minha família. E uma das coisas que vem em quando se tem uma família... é que vocês são os que podem ser mais importante para os outros. Vocês são os que podem contar um ao outro como é. Pois no final do dia, você sabe que tudo é só amor.

Então o que eu diria para minha família da NBA agora, eu acho que é, Ei – vamos continuar com o bom trabalho. Vamos nos orgulhar.

Mas também não podemos nos satisfazer.

Vamos reconhecer que um protesto não significa que nós resolvemos o problema de desigualdade racial neste país. Uma parada não significa que nós estamos fazendo tudo que podemos para o movimente LGBTQ. E uma entrevista de treinador não significa que resolvemos o problema de diversidade de gênero no nosso trabalho.

Uma liga mais complacente pode dar uma olhada nessas conquistas – e se sentir confortável falando, OK, nós conseguimos, nós terminamos. Mas a NBA não é uma liga complacente.

É uma ótima liga.

E para mim, uma ótima liga daria uma olhada nisso, e diria, nós trabalhamos muito e mostramos grande crescimento... mas ainda a muito o que fazer. Uma ótima liga diria, isso, esse é o progresso – mas esta não é a linha de chegada.

Espere e verá. Estamos apenas começando.


Pau Gasol
SAN ANTONIO SPURS
Carta traduzida pelo @PTXpecial

O link para a carta original no Players Tribune está aqui.

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quinta-feira, 26 de abril de 2018

Eu sinto falta do Sonics



As pessoas vêm até mim quando me veem em Seattle e dizem coisas do tipo, “Hey, onde você está morando agora, cara?”
“Seattle, cara. Eu nunca parti.”
Ninguém acredita em mim quando eu falo que estou aqui desde 1989. Quero dizer, depois de eu deixar o Sonics para ir para Cleveland — por volta de 1997 — eu rodei um pouco na NBA antes de a minha carreira terminar. Mesmo quando eu estava jogando na Italia, eu sempre mantive minha casa em Seattle. Não tinha duvida de que voltaria algum dia. E, você sabe, muita coisa mudou aqui. O coração da cultura ainda é o mesmo. Mas muita coisa mudou
Mas cara, a cidade não é mais a mesma sem o basquete. Não é como costumava ser.
Isso é engraçado de pensar agora, mas em 1989 eu era o cara mais jovem da NBA. Um garoto de 19 anos — e eu sou o primeiro a admitir que eu não sabia nada sobre como ser um profissional ou viver sozinho. Não parecia grande coisa para mim. Eu era jovem. Eu estava faminto. Eu queria enterrar nos tolos, sair a noite, e enterrar neles de novo no próximo dia.
E eu tive sorte. Muito dos caras que entram na liga com essa mentalidade não duram muito. Eu aprendi com cara como Xavier McDaniel, Nate McMillan, Michael Cage — os veteranos que estavam em Seattle quando eu cheguei lá. Todos eles me ensinaram desde cedo que havia muito mais no jogo do que esperar para dar uma enterrada.
Meu ano de rookie foi uma grande transição. Eu era um adolescente que tinha que começar a seguir regras, treinar duro na academia todos os dias, estudar os outros jogadores – apenas me educando no basquete. Eles sempre dizem, “É um emprego”, mas isso só se torna um emprego se você aprender a como lidar isso como um emprego.
Então foi assim meu ano de rookie — crescendo um pouco. Quando voltei para o meu segundo ano, eu estava pronto para mostrar todo meu potencial. Eu não iria deixar nada me distrair de ser dominante.
Nós tivemos a segunda escolha do draft daquele ano.
Nós escolhemos um cara chamado Gary Payton.


Gary já tinha falado, especialmente vindo de Oregon-Washington. Ele era um All-American. Ele já estava na capa da Sports Illustrated, tudo isso.
Eu me lembro da primeira vez que eu o vi jogar. Foi no meu ano de rookie. Eu acho que foi em uma sexta-feira a tarde, e o nosso GM, Bob Whitsitt, me chamou. Ele me disse para assistir o jogo de Oregon State-USC na TV porque tinha a possibilidade de Gary ser meu futuro companheiro de equipe. Foi engraçado, ter um GM pedindo para você dar uma de scout — como realmente assistir, realmente estudar o jogo de um prospecto. Naquela época eu estava tentando ser um profissional e um bom companheiro de equipe. Eu queria levar meu trabalho a sério.
Você sabe qual foi a minha memória principal daquele jogo? O trash talk do Gary. Não a defesa dele, foi o seu trash talk. Ele falava com todos. De antes de a bola subir, até o apito final ele estava falando — e tipo, com raiva, não brincando. Nos dois lados da quadra, aos caras no banco de reservas, aos fãs do USC, árbitros — não importava. Ninguém estava salvo. Eu me lembro de colocar a minha cadeira perto da TV para tentar ouvir o que ele estava falando para o técnico da USC. O técnico do time adversário, cara! Um garoto da faculdade. Eu amei aquilo. Gary tinha algo a dizer para todos.

Ele terminou o jogo com 58, se não estou enganado.

Logo depois que o jogo terminou, eu liguei para o nosso GM.

“Se nós escolhermos um cara como esse, você não terá que fazer nada para me motivar.”

Isso foi o que falei a ele.

“Se nós pegarmos Gary.  Nós dois nos daríamos muito bem.”

Bernie Bickerstaff foi o técnico no meu ano de rookie. Depois K.C.Jones entrou no próximo ano, ano de rookie do Gary. Logo de cara, Gart e K.C. não se deram bem. Muitos anos depois, Gary e eu ainda falamos sobre como K.C. ensinou nós, o quão importante ele foi no nosso desenvolvimento. Ele era durão, mas você tem que lembrar. K.C veio do Celtics, de uma cultura vencedor, treinando alguns dos melhores jogadores da liga. Ele preparava jogadas para o Larry Bird e o Kevin McHale.

Então, de repente ele teria que criar jogadas para Shawn e Gary. Com nós, cara, nós éramos garotos. Nós tínhamos muito talento, mas não sabíamos lidar com aquilo ainda.

Eu acho que as pessoas não apreciam realmente o que K.C. Jones fez pelo time do Sonics. Mesmo naquele um ano, ele ensinou a nós muito sobre maturidade fora e dentro da quadra. Gary e eu ainda conversamos sobre o quanto ele nos preparou para os próximos anos.

Uma das coisas que eu demorei a conseguir foi ser consistente em todos os jogos. Na NBA, você tem que estar preparado para vencer todas as noites. Eu sei que isso é cliché, mas a verdade é que quando começamos com o Sonics, nós tivemos sorte. Eles já eram um time .500, com caras veteranos que conheciam a liga. Nós poderíamos ir lá e jogar um ótimo jogo, apenas no instinto. Fora da quadra, Gary e eu passaríamos nosso tempo em bares, ou jogando golf. Nós tentávamos fazer de tudo um pouco. Mas os grandes times da NBA, eles nunca tiravam um dia de descanso. Você treina durante toda a semana e, de repente, você está jogando contra uma dessas equipes, você é espancado.
Eu me lembro quando Xavier McDaniel me disse, na cara, que nós não poderíamos por o time nessa situação. Os veteranos não queriam perder tempo, e não apenas por as suas janelas estarem se fechando. Também era porque eles abordavam o jogo como profissionais.
Xavier e esses caras, salvaram eu e o Gary de ter uma carreira esquecida. Eles empurravam e tentavam nos manter responsáveis. Era engraçado porque eu era um pouco mais fácil de lidar. Definitivamente levou mais tempo para todos entenderem o Gary. Como eu disse, quando eu entrei na NBA, eu era confiante, mas ainda um bebe. Eu acho que eu percebi que todos me viam como um adolescente que veio direto de um high school em Indiana. Quando os caras mais velhos falavam para eu fazer algo eu fazia. Não fazia nada além disso. Isso é apenas o que qualquer um passa como rookie. Talvez você tenha que carregar uma mala extra ou pegar uma coca para alguém. Para mim não era grande coisa.
Gary, no entanto, não. Ele não estava tentando fazer essas coisas.
Ele foi a segunda escolha no draft e ele andava por aí como, sabe, carregar a bolsa de um cara não estava em seu contrato. Os caras ocasionalmente ficavam irritados com ele, mas na maioria das vezes todos deixavam as coisas para trás porque sabiam que Gary realmente tinha as habilidades e o coração aguentar o que ele dizia. É como se, mesmo em seu ano de rookie, todo mundo via como - Gary poderia ser o futuro dos Sonics. Mas se você fosse contar todos os jogadores ou técnicos que inicialmente não se deram bem com ele, então você não terá um banco muito profundo. Então houve um período de adaptação com Gary e todos. Mas valeu a pena.

Quando Gary se adaptou, todos viram o quão sortudos nós éramos tê-lo - e não ter que jogar contra ele. Gary fazendo o trash talk para todos no treino nos motivou. Nos fez melhor. Ele era um problema, mas ele era nosso problema.
Tem uma história que o Gary conta sobre um jogo de pré temporada onde ele faz o trash talk com o Michel Jordan e MJ envergonha ele. Eu me lembro daquilo. Eu acho que para o resto do time, quando vimos Gary falando merdas na cara do Jordan foi algo como... Foi simbólico. Foi um grande sinal. Uma criança escolhendo uma briga com o valentão da escola.


Eu sou sortudo. Eu vi MJ no auge, o começo dos anos 90-MVP-vindo-para-matar-você Michael Jordan. Eu estava apenas a um ano na liga naquele ponto, mas vamos lá — não demorou muito para todos perceberem que quando você jogava contra Michael, você poderia estar saindo do melhor jogo da sua vida, jogando em casa, jogando no seu aniversário - ele poderia ter a maldita gripe - o que for. Todas as probabilidades poderiam estar a seu favor, e então MJ marcaria 25 no primeiro tempo, mostraria a língua... apenas apontar em toda a sua organização. Ele viveu para isso.

Então, quando vimos o quão destemido Gary estava com Michael, nós o encorajamos. Todos iríamos ao seu ouvido, dizíamos para ele continuar, não para recuar. Gary nos deu toda aquela coragem e aquela luta que Seattle teve por muitos anos lá. Depois de algum tempo, conseguimos uma reputação. Seattle era físico. Nós íamos falar muito. Não importa se estávamos ganhando ou perdendo, essas equipes do Sonics eram especiais porque sempre pensamos que tínhamos uma chance de lutar.
Aquele foi o momento de rookie do Garry, e nem é tão ruim assim. Michael era Michael.
Quando eu joguei contra Bill Laimbeer pela primeira vez, eu peguei um pouco daquele remédio.
Era 1989. Eu vindo do banco como um rookie. Os Bad Boys em Detroit ainda estavam em pleno vigor, e vindo do seu primeiro campeonato.
Eu vinha jogando bem por algumas semanas. Nós estávamos ganhando jogos e eu estava enterrando em todo mundo. Eu estava pensando que iria dominar para sempre, como quando você está brincando com as crianças da vizinhança com o aro abaixado.
Nós tínhamos os Pistons pela frente e no começo do jogo. Eu tive um caminho aberto e enterrei em cima do Bill Laimbeer. Detroit pediu tempo. Eu estava me sentindo bem, vindo do tempo de quadra, eu vi Laimbeer apontando para mim.
Ele está apontando para mim?”
Ele não está apontando para mim, eu acabei de enterrar na cara dele.
Então eu apontei o dedo de volta para ele.
Os Bad Boys não tinham esse apelido apenas por causa que eles eram bons na defesa. Eles eram caras maus. Eles te machucariam, eu nunca tinha jogado basquete contra caras como eles. O tempo de quadra expirou, nós pegamos um rebote, e no outro lado alguém passou a bola para mim no garrafão.
Laimbeer estava atrás de mim.
Eu não sei o que aconteceu em seguida. Eu acordei no hospital.


Vou te contar uma coisa. Eu durmo muito mais do que costumava.
Sempre saindo, batendo nos clubes com Gary depois dos jogos. Parece que foi há muito tempo atrás. Ainda nos reunimos de vez em quando. Mas relaxou muito.
Minha mãe e a mãe do Gary ficaram amigas. Conheci a família de Gary e ele conheceu a minha muito bem. Nós até vimos nossos filhos jogarem basqute pelo universitário uns contra os outros em Seattle, não muito tempo atrás.
É surreal, cara. Nós brincávamos sobre isso muitos anos atrás, que um dia nós estaríamos assistindo nossos filhos jogarem basquete como nós fizemos.
E agora é tipo — ver o que acontece com eles na faculdade — é difícil de acreditar. Tendo a chance de dividir alguma das experiencias que tivemos como jogadores com nossas crianças e com as famílias uns dos outros... se você olhar para os tipos de homens que éramos naquela época e quanto mudou ao longo de tantos anos, é loucura.
 

Eu fui pai durante toda a minha carreira como jogador de basquete. Eu perdi muitos momentos com a minha família enquanto eu estava jogando, e isso as vezes é difícil de pensar sobre isso. E eu posso te dizer que eu certamente não era o melhor modelo para as minhas crianças. Mas eu sempre tentei aprender. E eventualmente você aprende isso, como o basquete — um compromisso importante diário.

Paternidade, basquetebol. Tudo demanda tempo. Exceto que na paternidade não tem técnicos ou veteranos te observando para ver se você está fazendo a coisa certa. Você está sozinho o caminho todo. Realmente, sou muito grato pela minha família, pela minha carreira e por ter feito algumas amizades duradouras. Grato por tudo.
“Stockton e Malone” é o que eu e Gary costumávamos a dizer nos treinos. Eles eram caras que nós nos espelhávamos, em primeiro lugar quanto tentávamos polir o nosso jogo. E é engraçado, esses são dois caras que você não pode mencionar o nome de um sem pensar no outro.
É uma honra agora quando eu ouço as pessoas falar a mesma coisa sobre Gary Payton e Shawn Kemp. É algo além do basquete — uma história na quadra e uma verdadeira amizade fora dela, mesmo todos esses anos depois.


Ainda estou aqui em Seattle, cara. Estou casado a 23 anos. Fui de passar todo o tempo na estrada sendo um marido e pai. Eu vi a cidade mudar muito, mas ainda tem os mesmos fãs apaixonados, e ainda é uma cidade que ama basquete, mesmo sem um time para torcer. Desde o dia que eu cheguei, sempre fui tratado muito bem pelas pessoas daqui. E o amor durou muito mais que minha carreira. Fui recebido de volta de braços abertos assim que meus dias de jogador terminaram.
O basquete me levou ao redor do mundo, depois de ver tanto por tantos anos, eu posso dizer com absoluta certeza que não tem outro lugar no mundo onde eu queria estar.
Mas tem algo que não está certo. Alguma coisa está faltando. Nós precisamos do Sonics de volta.
Grandes momentos do esporte aconteceram aqui. Muitas lendas dos esportes tiveram seus momentos em Seattle. Eu sei que se a NBA trazer um novo time seria uma bagunça, mas parece que está aqui sem o Sonics.
Eu acredito que vai acontecer — nós vamos ter o time de volta algum dia. Não sei quando ou como, mas eu sinto isso. Basquetebol vai voltar a Seattle.
E eu ainda estarei aqui quando isso acontecer.
O link para a carta original no Players Tribune está aqui.

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segunda-feira, 23 de abril de 2018

Swat Lake City



Vinte e cinco. Eu quero que você se lembre do número 25.

Esse é o número de jogos que o Jazz venceu em 2014. Minha temporada de rookie.

É bem possível que você não saiba disso. A não ser que você seja um verdadeiro fã (grite, Swat Lake City) é bem possível que você não passou muito tempo pensando sobre o Utah Jazz. Nós todos sabemos disso. As vezes ser esquecido é pior do que qualquer percepção negativa. Essa é uma das minhas memórias do meu ano de rookie. Eu me lembro da minha visão do banco — ou na verdade, do chão ao lado do banco de reservas, porque o banco estava cheio e eu era um rookie. Eu me lembro como me sentia, tão perto do jogo mas na verdade tão distante. Eu lembro como é o sentimento de perder mais de 57 vezes, e como eu me sentia ao ouvir o estouro do cronometro depois de cada derrota, e levantar e ir para os vestiários. O foco nunca éramos nós — as entrevistas pós jogos, os melhores momentos. Era sempre sobre os vencedores. Parecia que éramos invisíveis.

Trinta e oito. Esse é outro número que eu quero que você se lembre.

Meu segundo ano na liga, nós vencemos 38 jogos. Eu joguei todos os 82 jogos naquele ano e tive muitos minutos. Meus números cresceram para oito pontos e 10 rebotes por jogo. E o mais importante (!) Eu não estava mais sentado no chão ao lado do banco de reservas.

Nós estávamos indo na direção certa, e acho que a razão principal: Nós tínhamos Quin. Era a primeira temporada do treinador Snyder com nós.

Quin realmente me surpreendeu na primeira vez que nós nos encontramos. Foi no treino de pré temporada de setembro de 2014. Eu passei o verão jogando a Copa do Mundo pela seleção da França. Para ser honesto, eu não sabia se o treinador me conhecia. Uma das primeiras conversas que tivemos, ele veio até mim e disse que tinha assistido a todos os jogos da França na Copa do Mundo.

Não era besteira — ele estava trazendo jogadas específicas de determinados jogos. Ele lembrava de como perdemos para a Espanha na fase de grupos — por 24 pontos — e ele lembra de como enfrentamos eles nas quartas de novo e vencemos. Nós surpreendemos muitas pessoas. A Espanha tinha os irmãos Gasol, Serge Ibaka, Ricky Rubio, uma ótima equipe. Era considerado o melhor time da Europa. A França estava meio esquecida naquele ano.



Eu lembro o que o técnico disse. Ele disse que ele queria que eu jogasse todos os jogos da mesma maneira que eu joguei contra a Espanha — até quando ele fosse o meu treinador, ele iria me forçar ao limite. Eu não o conhecia muito bem mas posso te dizer que ele estava falando sério. Ele estava falando sério sobre em como treinar o time e sério sobre a construir um time em Utah que as pessoas não pudessem ignorar. Sério sobre trazer de volta o respeito e o entusiasmo que John Stockton e Karl Malone primeiro trouxeram aqui. “Se você jogar como jogou nesse verão, nosso time é capaz de fazer qualquer coisa”, ele me disse.

Ele perguntou se eu estava disposto a fazer aquilo. Eu assenti.
Por dentro, eu estava pegando fogo.
Meu objetivo na NBA naquele ponto era apenas ter uma chance de competir. Ninguém sabia o meu nome no ano de calouro. Eu acreditei que se eu tivesse aquela chance, as pessoas veriam. Eu precisava que alguém para me dar essa chance.
Grite, técnico.


Dezoito. Esse é um número engraçado para mim. Eu acho que eu tinha 18 anos na primeira vez que eu realmente tive um corte de cabelo.
Antes disso, minha mãe sempre cortava meu cabelo. Ela é a pessoa mais trabalhadora que eu conheço. Ela sempre teve vários empregos de uma vez só. Ela cortava cabelo, trabalhava em restaurantes — basicamente qualquer coisa que ele pudesse fazer para me sustentar, ao meu irmão e irmã. Eu cresci em Saint-Quentin, uma cidade de médio porte ao norte de Paris. Nós sempre tivemos o suficiente para comer e um teto sobre nossas cabeças. Nosso apartamento era bem simples. Era muito parecido com os projetos que você pode ver nas cidades americanas.
“Seja feliz com o que você tem” minha mãe sempre nos dizia.
Meu irmão e irmã eram mais velhos do que eu. Eu era o caçula. Minha irmã saiu de casa quando eu era muito novo. Meu irmão morou com nós até ele ir para a universidade aos 19, e foi só quando ele saiu que eu consegui ter meu próprio quarto. Até eu ter cerca de 11 anos, eu dividia o quarto com minha mãe.
Olhando para trás, eu posso ver o quanto obviamente foi difício para ele, trabalhando direto e tomando conta de nós, mas ela nunca me fez sentir como se eu fosse um incomodo — mesmo que as vezes eu fosse.

Eu tinha muita energia quando era criança. Quando era pequeno, eu estava envolvido em brigas na escola. Então toda chance que ela tinha, ela colocava meu nome para praticar algum esporte depois da escola. Ela me colocou no Karate. Me colocou no atletismo. Ela me colocou no box. Quando eu tinha 11, ela me colocou em um time de basquete. Foi quando eu comecei a cair de amor por esse jogo.

De todos os esportes que a minha mãe me forçava a jogar, basquebol foi o que mais fez sentido para mim. Eu era maior que todas as outras crianças, e meu pai jogou basquete profissionalmente e pela seleção da França nos anos 80 e 90. Então eu acho que o jogo É parte do meu DNA. De repente, eu encontrei um lugar para depositar toda a minha energia. Eu comecei a chamar atenção na escola  — começou a parecer que eu teria futuro jogando basquete. E isso era algo muito raro para alguém de Saint-Quentin.

Eu fui para outra escola quando eu tinha 12. Era uma hora do apartamento de minha mãe. Na maioria dos finais de semana eu iria para casa. Ela cortava meu cabelo, perguntava como estavam as minhas notas. Essas são uma das melhores memórias da minha vida.

Minha mãe — ela sentia muito a minha falta. Quando eu iria para casa ou falava com ela no telefone, eu tentava não mostrar se eu tivesse passando por uma situação ruim. Eu lembrava o quanto ela tinha que trabalhar direto para nós termos a chance de comer e ir para a escola, e de como ela chegava em casa todos os dias exausta. Ela estava feliz por sacrificar tudo para que os seus filhos tivessem um futuro. Tendo 12 ou 13 anos, era difícil. Eu não queria preocupar ela.

Quando eu tinha 15, me mudei de novo — ainda mais longe — para a cidade de Cholet, cinco horas de carro da nossa casa, para uma escola onde eles tinham um bom time de basquete. Isso significava que eu não poderia ir mais para casa nos finais de semana. Eu falava com minha mãe pelo telefone quando podia, mas eu só podia ir para casa algumas vezes nas férias.

Nos próximos três anos, eu joguei basquetebol pelo time de Cholet Junior, eu sei que foi difícil para minha mãe lidar comigo se mudando para muito longe de casa tão novo — eu era seu último filho, e eu era muito mais jovem do que quando meu irmão deixou nossa casa. Ela se preocupava comigo direto — se eu estava quente o suficiente, se eu estava fazendo amigos, ou se eu tinha o suficiente para comer. Mas ela sempre entendeu que eu estava fazendo o que eu queria. E mais do que tudo, ela sempre me encorajou a alcançar os meus sonhos.

Em 2013, eu descobri que meu sonho se tornou realidade. A única coisa era que eu estaria me mudando para um lugar que eu nunca tinha ouvido falar.

Salt Lake City.



Antes de ir para Utah, tudo o que eu sabia sobre a Ameria, vinha da TV ou filmes. E eu não acho que um único programa de TV ou filme que assisti tenha algo a ver com Utah, então eu não tinha ideia do que esperar quando cheguei aqui. A única coisa que eu realmente sabia sobre todo o estado de Utah, era que Karl Malone tinha jogado aqui.

A primeira vez que eu encontrei com Karl foi durante um treino no meu ano de rookie. Ele foi muito legal, e me deu muito apoio. Ele disse que estava empolgado para ver o que eu poderia trazer para o Jazz. Nós conversamos sobre coisas de pivôs e ele se ofereceu para praticarmos alguns treinos. Sua resistência nesses treinos foi uma coisa reveladora para mim. Quando penso nisso, só me lembro de seu antebraço. Eu estava marcando ele no poste baixo e ele colocou um antebraço em mim. Era uma rocha. Este pode ser o homem mais forte que eu já vi na minha vida. Karl Malone, 50 anos. A força com a qual ele deve ter jogado em seu auge - eu não posso imaginar isso. Ele me fez querer ser um defensor melhor.

Sei que mencionei a Copa do Mundo como um momento decisivo para mim, mas houve muitos momentos desde que cheguei a Utah que nunca esquecerei.


Eu vou sempre lembrar de caras como Richard Jefferson, um mentor para mim quando eu era rookie e não conhecia ninguém. Na verdade, todo o time do Jazz quando eu cheguei aqui em 2013 me ensinaram como ser um profissional. Mesmo não tendo muito tempo de quadra, e não ganhando muitos jogos, eu não era tratado como um rookie. (exceto pelo fato de sentar no chão ao lado do banco de reservas.) Uma vez draftado, eu era parte do time e era isso.

Eu vou lembrar do nosso primeiro treinamento de pré temporada, que na minha cabeça era como um treino militar. Foi uma das semanas mais difíceis da minha vida. Eu percebi, olhando para trás, o quanto eu precisava me ajustar vindo da equipe junior francesa para a NBA. Eu vou lembrar o quanto nós éramos ignorados e esquecidos nas primeiras temporadas. O técnico Quin sempre nos lembra para continuar trabalhando nisso — continuar melhorando — e eventualmente vamos conseguir a atenção e o respeito das pessoas.

Eu vou lembrar do último ano, durante o All-Star Game — de como me senti por não ter sido chamado. De como eu senti que merecia um lugar mas não conseguir, parecia que ninguém fora de Utah estava falando sobre mim. Foi a primeira vez em minha carreira que eu senti daquele jeito, e não é que eu não tenha feito parte da equipe, parece que não estava nem na conversa sobre isso.

Eu vou lembrar do último ano, sendo varrido na segunda rodada dos playoffs. E da pós temporada, quando todos estavam dizendo que a saída do Gordon Hayward significava que nós iríamos ter um rebuild.

Eu vou lembrar de quando Donovan Mitchell chegou.

Eu vi o Donovan jogar pela primeira vez na Liga de Verão, e meu primeiro pensamento depois de vê-lo foi: ele pode jogar na defesa. Eu sempre vejo como um cara novo se adequa na defesa - ele joga tão duro na defesa quanto ele joga do outro lado? Donovan fez. Eu respeitei isso imediatamente. Quando ele marcou 41 seu segundo mês na liga... caramba, eu sabia que ele seria especial.

Grite Donovan, nosso novato. Nosso cestinha. O novato do ano.

Mas o que mais me lembro é o conselho da minha mãe.

Seja feliz com o que você tem.

Eu ainda sou. Estou feliz com nossa equipe, nosso técnico e nossa cidade. Vocês são os melhores.

Mas eu preciso fazer uma mudança na frase favorita da minha mãe. Espero que seja O.K.,
mamãe.

Seja feliz com o que você tem, mas saia e conquiste o que é seu.

No primeiro dia do treino de pré-temporada eu disse que estaríamos de volta aos playoffs este ano. Talvez algumas pessoas achassem que era um tiro longo. Nosso começo pode ter sido lento. Eu machuquei um dos meus joelhos, depois o outro, tudo em um mês. Mas na minha cabeça eu sempre soube que nós surpreenderíamos a todos. Agora estamos aqui e estamos tão saudáveis ​​quanto estivemos durante toda a temporada. Estamos tão confiantes também. Temos o melhor rookie da NBA. Nós temos a melhor defesa na NBA. Nós temos um dos melhores treinadores. Mas ainda não temos o que queremos.


Eu vou te deixar com um último número.

19,911.
Essa é a capacidade máxima no Vivint Smart Home Arena. Qualquer equipe que queira um pedaço de nós terá que vir para Salt Lake City e lidar com todos os 19.911 de vocês. Talvez ninguém mais acredite em nós, mas esse problema é deles. Sabemos que ainda estamos sendo esquecidos. Em Utah, as pessoas já viram isso antes. Agora é a hora de buscar o que sabemos que merecemos. Agora é a hora de nos certificarmos de que eles nos ouvem.
E nós vamos precisar de todos vocês.
De cada um.


Rudy Gobert
UTAH JAZZ

O link para a carta original no Players Tribune está aqui.

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