quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Minha experiência na NBA

Gostaria de compartilhar com vocês a minha experiência nos meus dois primeiros jogos da minha vida da NBA. Vou contar tudo desde a expectativa, a compra dos ingressos na hora do jogo, entrando no Air Canada Center, e o que me chamou mais a atenção na partida. Acredito que dei muita sorte pois foram dois jogos históricos, no primeiro DeRozan quebrou o recorde de pontos da franquia do Raptors e o segundo foi o penúltimo jogo oficial de Tony Parker como titular do San Antonio Spurs.

Milwaukee Bucks vs Toronto Raptors | Air Canada Center | 01/01/18 | 19:30h

Eu e meu amigo Jackson tentamos comprar o ingresso no ticketmaster mas acabou não dando certo, e eu conversando com outro amigo meu aqui da casa, ele me disse que dava de comprar o ingresso na hora com cambista... Então decidimos arriscar... Chegamos na frente do Air Canada Center as 16:30h e os cambistas já estavam lá... Cobrando entre 200 e 300 Dólares Canadenses (CAD) por cada ingresso. Decidimos esperar... O tempo foi passando e você tem que ter pulso firme pra não aceitar e pagar os 200/300 CAD no ingresso... É uma briga psicológica, os caras querem vender caro, mas se eles não estão vendendo o preço cai... E nós reparamos que os mesmos cambistas ainda estavam tentando vender ingresso em cima do horário do jogo (19:30h). Resumindo, pagamos 100CAD cada ingresso, mas perdemos a apresentação dos times e alguns minutos do primeiro quarto.



Assim que pegamos os ingressos fomos correndo procurar os assentos, pois já era umas 19:40h,  e ainda estávamos perdidos porque não sabíamos para onde ir, tinha que ir mostrando o ingresso e perguntando. Conseguimos ver o “tip off” de uma das entradas dos assentos mais perto da quadra. A visão daquele lugar era animal... Na hora não acreditei que estava vendo Ibaka, Giannis, DeRozan e Lowry.



Quando teve o primeiro timeout nós fomos procurar nossos assentos, chegamos lá faltavam algo em torno de 6 minutos para o fim do 1Q. Cheguei no meu assento, comecei a ver o jogo, uma hora me veio na cabeça “caralho estou aqui mesmo realizando meu sonho, que loucura”. Quando as pessoas dizem que o jogo passa rápido, acreditem passa MUITO rápido, pisquei o olho e o 1Q já tinha acabado e DeRozan já tinha 21 pontos. Uma das coisas mais legais que eu achei era quando o Ibaka dava um block, a torcida sempre ia a loucura. By the way, Ibaka foi o #JBPNBA daquela noite, sensácional. Vamos pular mais para o final agora, lembro que faltando 2 minutos para acabar a partida o Raptors estava atrás por 4 pontos, situação dificílima, mas Lowry meteu uma bola de três espetacular que empatou a partida e o Air Canada Center foi a baixo... Jogo estava empatado e eu estava na expectativa de um Game Winner, pra mim poderia ser tanto do Bucks quanto do Raptors ( quem tava perto de mim não sabia para quem eu estava torcendo, vibrava em todas as jogadas). Mas no fim não teve game winner, e sim overtime... Nada mal para o seu primeiro jogo da NBA né? DeRozan já tinha 44 pontos... Assustador... Ele tava muito confiante nas bolas de três, nem parecia o jogador que eu estava acostumado a acompanhar... No overtime DeRozan liderou o Raptors a vitória com mais 8 pontos, fechou a partida com 52 career high dele e de quebra o recorde da franquia em pontos. Será que sou pé quente?

Outros detalhes que eu percebi, Giannis foi MUITO bem marcado... Raptors fechava o garrafão para ele direto... E o mais incrível, não sei como ele terminou a partida com 26 pontos. Outra coisa que eu consegui ver com mais clareza ao vivo foi a dependência do Raptors no DeMar DeRozan e no Kyle Lowry, pelo menos nesse jogo, os dois comandavam o show... Os outros pareciam que não tinham vez para arremessar, quanto mais rookie... Rookie pegava na bola e procurava os dois... Ao vivo você consegue perceber isso com mais clareza... VanVleet foi bem na partida tomando iniciativa, gostei de mais dele. E SIM, O ARREMESSO DO DELLAVEDOVA É HORRÍVEL.



San Antonio Spurs vs Toronto Raptors | Air Canada Center | 19/01/18 | 19:00h

Esse jogo o mais esperado para mim, esse jogo marcado na minha agenda desde quando saiu o calendário da temporada 2017-18. Durante a semana não sabia se Kawhi, Parker, Ginobili iriam jogar. Dessa vez consegui comprar os ingressos via internet (ticketmaster.ca), e cheguei cedo no Air Canada Center. Uma coisa que achei legal é que pelo menos no Air Canada Center tem um espaço reservado para deixar sua mochila (você não pode entrar com mochila), e o melhor é que é de graça. As 18h abriu os portões para a entrada do público, cheguei lá em cima no meu assento.


Só All-Star na foto.

Pra variar só tinha eu, e não sei se vocês sabem mas na entrada de cada sessão tem um funcionário ali para te ajudar, e como só tinha eu fui lá perguntar para a mulher se eu poderia ir mais em baixo para tentar tirar foto com algum jogador. DeRozan, Mills LaMarcus Aldridge, Pau Gasol e Kyle Anderson estavam treinando alguns arremessos. A mulher disse que não tinha problema que eu poderia ir lá e tentar algo, então desci e fui tentar a sorte.


Chegando lá em baixo eu perguntei ao outro funcionário que cuidava daquela sessão se eu poderia entrar ali mesmo o meu ingresso sendo lá de cima, e ele foi bem educado e disse que não tinha problemas. O problema era que tinha ainda umas três fileiras até a quadra onde os jogadores estavam e não era possível se aproximar mais.
LaMarcus Aldridge no aquecimento.

DeRozan antes da partida.


Então o máximo que deu pra ficar foi tipo uns 6 metros dos jogadores. É muito irado, a ficha não cai que você está no mesmo lugar que seus ídolos. Infelizmente tentar uma foto com os jogadores era impossível. Depois disso voltei lá para o meu assento e fiquei esperando o jogo começar.

Durante um timeout eu tentei pegar uma camisa, mas não consegui... Os funcionários sempre vem nos timeouts com camisas e pedem para fazer barulho, eu estava assoviando e consegui chamar a atenção dele, mas o problema é que eu estava com a camisa do Tony Parker. Ele olhou minha camisa e fez cara feia. Pelo menos tentamos... Hahahaha

Outra coisa que me peguei pensando era quantos Hall of Fama eu estava presenciando nomes certos como Greg Popovich, Jason Kidd, Tony Parker, Pau Gasol e outros possíveis integrantes como DeMar DeRozan, Kyle Lowry, LaMarcus Aldridge e Giannis Antetokounmpo, tinha muita história em quadra.

Obs 1: Sinceramente o primeiro jogo foi mais empolgante, pois tudo era novidade, e como não torcia para nenhum dos times eu vibrava com qualquer coisa tanto do Raptors quanto do Bucks. O segundo foi inesquecível pelo fato de poder ver o meu time em quadra, e torcer, xingar e ficar apreensivo no ginásio é 100x mais legal.


Obs 2: Essa aqui é mais uma dica para quando vocês forem em algum jogo da NBA, no meu primeiro jogo eu fiquei do lado que é gravado as imagens de TV, e achei esse lado melhor. O banco dos times fica do lado oposto, mas é melhor porque você fica de frente para o banco e para o treinador. E outra, quando você olha para o telão a imagem que você ve lá é a mesma da quadra. No meu segundo jogo eu fiquei do lado contrario onde se grava as imagens, e quando eu olhava para o telão a imagem ficava espelhada e você ficava de costas para o banco.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

O Barulho


Stephen Curry, Point Guard / Golden State Warriors - The Players' Tribune
Uma coisa que eu tenho pensado muito ultimamente, especialmente hoje no Dia dos Veteranos, é o que significa ter uma plataforma.

Acho que é tentador, às vezes, pensar que isso não significa nada. Com todos lá no Twitter, Facebook e IG e tudo isso… Com todas as opiniões e narrativas que estão sempre voando de qualquer jeito nas notícias por cabo… É muito barulho. 
E você ouve o suficiente desse barulho, e você começa a se perguntar se alguém pode - ou mesmo quer - ouvir alguém.

Mas se há algo que eu aprendi este ano, é todo esse barulho que continuamos ouvindo - não é um acidente. Estamos ouvindo esse barulho porque existem pessoas reais lá fora, enfrentando problemas reais e desigualdades reais, algumas de maneiras como nunca antes. Em 2017, na América, o silêncio não é mais uma opção.

Eu sou uma pessoa que está confortável em sua própria pele. Tenho 29 anos agora. Tenho duas filhas, uma esposa maravilhosa, dois pais incríveis. Estive em todo este país, de Charlotte para a Bay. E eu me sinto confiante no fato de ter desenvolvido uma base para o meu personagem que eu possa me orgulhar. Eu sei o que acredito, e eu sei o que represento.

E eu sei o que eu enfrento.

Mas quando alguém me diz que minhas posições, ou posições de atleta em geral, são “desrespeitando as forças armadas” - que se tornou uma coisa popular para acusar manifestantes pacíficos - é algo que eu vou levar muito, muito a sério. Uma das crenças que considero mais importante é o quanto eu orgulho de ser um americano - e o quão incrivelmente agradecido por minhas tropas. Eu sei o quanto tenho sorte de viver neste país e fazer o que faço para viver e criar minhas filhas em paz e prosperidade. Mas eu também ouço de muitas pessoas que não o têm quase tão bom quanto eu. Muitas pessoas que estão realmente lutando neste país. Especialmente os nossos veteranos.

E todo veterano com quem falei, todos disseram praticamente exatamente o mesmo: que essa conversa que começamos a ter no mundo dos esportes… Seja Colin ajoelhado ou equipes inteiras da NFL encontrando a sua própria maneira de mostrar a união, ou eu dizendo que eu não queria ir para a Casa Branca - é o oposto do desrespeitoso para com eles.

Muitos disseram que, mesmo que não concordem totalmente com todas as posições de cada pessoa, é exatamente isso que eles lutaram para preservar: a liberdade de todos os americanos para expressar nossas lutas, nossos medos, nossas frustrações, e nossos sonhos para uma sociedade mais igualitária.



Uma das conversas mais gratificantes que tive neste ano foi com um veterano - foi apenas a outra noite, na verdade. Minha esposa, Ayesha, realizou a abertura para o seu restaurante, e todos nós saímos para jantar e apoiá-la. E um dos convidados que entraram naquela noite era um homem chamado Michael, que estava lá com sua esposa. Ele apareceu e se apresentou, e acabamos de falar.

Ele havia servido no Afeganistão - e ele me contou sobre o quanto ele passou, tanto físico como mentalmente, apenas tentando voltar para a sociedade e em sua vida diária. Ele me ofereceu alguns conselhos, sobre como eu poderia ajudar a aumentar a conscientização sobre alguns dos problemas sérios que os veteranos estão passando - por exemplo, com o sistema médico de veteranos e como sua administração está quebrada. E ele me educou sobre dados demográficos - me falando sobre o fato de que menos de 1% da população atualmente atua nas forças armadas, o que faz uma verdadeira luta pelos veteranos, como eleitor político, para obter a representação de que eles precisam.

Como é que essas questões nunca parecem ser essenciais?

Nós ouvimos o tempo todo na TV e nas mídias sociais sobre "apoiar as nossas tropas". Mas não é apenas cumprimentá-las ou agradecer-lhes o serviço no aeroporto - e definitivamente não é apenas sobre como observamos o hino nacional. Michael me disse que nossos veteranos precisam de ação real. Eles precisam de ajuda real com serviços médicos e acesso a empregos de maneira que eles consigam se reajustar a sociedade.

Em quase todos os momentos, enquanto conversávamos, Michael encontrou um terreno comum: de falar sobre como ele é um fã dos Warriors (bom, bom, eu gosto disso), para mais importante - apontando como a maioria dos problemas que os veteranos militares enfrentam em casa são realmente as mesmas questões enfrentadas por muitos da América. Sem abrigo, desemprego, saúde mental e, sim, desigualdade racial - essas são as questões que os nossos veteranos enfrentam. Estas são questões principalmente universais, que estão sendo sentidas em todas as cidades da América.

E como o Dia dos Veteranos vem se aproximando desta semana, e como eu estive pensando mais e mais sobre o que o uso da minha plataforma realmente significa para mim - minha conversa com Michael é algo em que ficava sempre retornando para minha cabeça.

Você sabe, eu lembro quando acordei na manhã que (eu ainda não posso acreditar que estou dizendo essas palavras), o residente tweetou para mim. Você provavelmente não precisa de mim para lhe dizer isso, mas, cara, foi… Surreal. Era a manhã antes do nosso primeiro dia de treino, então eu estava me sentindo bem. E quando eu acordei - quero dizer, antes mesmo de ver o tweet, ou saber o que estava acontecendo - eu tinha cerca de 30 mensagens de texto, tudo de uma vez. Apenas explodindo minha caixa de mensagens do telefone. Eles eram todos esses meus amigos, apenas, me defendendo e me dizendo que eu estava certo e, você sabe, não se preocupe com isso. Mas eu não tinha ideia do que eles estavam falando.

Então, finalmente, abri o Twitter, verifiquei minhas menções e tudo isso - e eu vi.

Era o que era.

E agora, é claro, são essas mesmas pessoas - que não conseguiram entender por que eu declararia pacificamente minha oposição à nossa visita à Casa Branca - quem irá dizer entender que os atletas profissionais, quando se envolverem em protestos pacíficos, estão desrespeitando os militares, nossa bandeira e nosso país.



O que eu acho é por que decidi que queria escrever isso agora.

Porque se eu usar minha plataforma ... Não quero ser um barulho. Eu quero usá-lo para falar sobre problemas reais, que estão afetando pessoas reais. Eu quero usá-lo para iluminar as coisas que estão dentro do meu interesse.

E eu me importo com nossos veteranos profundamente.

Então é por isso que estou escrevendo isso - esse é o meu pedido para que com todos estes para o Dia dos Veteranos: por favor, não se perca em outro desses debates intermináveis sobre quem significa o que quando eles estão fazendo o que ou não está desrespeitando quem.

Em vez disso, respeitemos - celebremos - os nossos veteranos, tendo uma conversa sobre os caminhos reais em que nós, como civis, como seus colegas americanos que lutaram para proteger, podem aguentar o fim da barganha. Vamos falar sobre o sistema médico do VA quebrado e lesões cerebrais traumáticas e PTSD. Mas também falamos sobre o sem abrigo, o desemprego e a saúde mental, e, sim, a desigualdade racial.

Vamos falar sobre como podemos fazer melhor, para facilitar a vida.

Vamos usar nossas plataformas, e aproveite este dia, para falar sobre como podemos ser mais altos do que todo esse silêncio - e mais silencioso do que todo esse barulho.



Carta traduzida pelo nosso administrador Augusto.

O link para a carta original no Players Tribune está aqui.

domingo, 22 de outubro de 2017

Memphis

Tony Allen, Shooting Guard / New Orleans Pelicans - The Players' Tribune
Eu sei que todos sentem minha falta no aeroporto.

Eu sou Tony Allen, eu vôo Mem, e também todos os meus amigos!

Foi um bom sentimento, cara. Eu nunca fui um cara que fala muito. Então, quando o aeroporto chegou aos Grizzlies e me pediu - estou falando, eles me chamaram, especificamente? Como, imagine o chefe do aeroporto, você sabe, e ele está falando ao assistente: "Ei, assistente, precisamos fazer isso de maneira correta. Precisamos que este seja Memphis. Busque o Tony Allen. "Você sabe, quando é assim?

Cara, eu praticamente me joguei nessa oportunidade.

E não era apenas um anúncio, e é isso, você sabe o que estou dizendo? Era mais como - cara, é uma verdadeira honra ser o rosto de uma cidade como essa. Estava cheio de cartazes gigantes de mim, apenas pendurados por todo o lugar. Você tinha Tony Allen - sorrindo para você, vibrando com você, apontando para você, como: "Ei, cara, você escolheu um bom aeroporto." E é em todo o lado do aeroporto que você anda, você teria que... Experienciar Tony Allen . Em qualquer lugar. Provavelmente 99% das pessoas, eu estou lhe dizendo, é a primeira coisa que eles viram quando chegaram em Memphis. É, estou saindo deste avião... Atravessando o túnel... Abrindo a porta... E então, boom - você está vendo isso. Está aqui para você. É o próprio Tony Allen.


Assim que qualquer equipe adversária sair do avião, eles provavelmente irão me ver de pé, olhando de cima para baixo. Bem-vindo a esta cidade chamada Mem. Tony Allen controla os céus em torno dessas partes. Então, assim, cara, com esses anúncios, estou na cabeça deles. Estou superando-os com um salto - jogando essa defesa de classe mundial antes mesmo de o jogo ter começado.

E eu acho que o que isso mostra, também, é como - cara, aquele Grit & Grind Basketball, esse estilo de aro que as pessoas sabem que estão esperando quando veem jogar contra o Grizz? Não é apenas um estilo de jogo. É um modo de vida. Isso é o que as pessoas não percebem sobre o movimento Grit & Grind. Era uma forma de vida para toda a nossa cidade. É uma cidade que não recebeu nada e teve que trabalhar para tudo. Você me entende? É como quando o Showtime estava acontecendo com os Lakers - é esse estilo de jogo impressionante e estrelado, certo? E então você vê Los Angeles, como um lugar, você sabe, e são todos filmes e coisas. Grit & Grind, é o mesmo tipo de vibração entre time e cidade. É um encaixe perfeito.

E ninguém se encaixa melhor do que eu.

E foi para isso com isso, com a campanha do Aeroporto Internacional de Memphis: isso foi adequado - desta maneira especial. Se você estiver nesta liga por tempo suficiente, cara, você vê que existe um sistema. Você vê isso, enquanto muitos jogadores diferentes podem ser favoritos de fãs ou o que quer que seja... São realmente apenas os Franshise Players que recebem esses grandes endossos ou se tornam a cara da equipe. Mas Memphis? Essa cidade é simplesmente diferente. Eles não são como todos os outros. Não se trata de deixar um cara de colarinho azul como eu fazer todo o trabalho sujo, então não obter nenhum crédito. Memphis é real. E quando eles me abraçaram, você sabe, não era apenas, como "Oh, sim, Tony, nós gostamos dele, ele é um bom jogador." Yo... eles me abraçaram. Eles compraram minha camisa. Eles compraram essas t-shirts com o pequeno desenho de mim sobre isso. E - cara, nunca me canso de dizer isso em voz alta - eles até me deixaram ser o rosto do aeroporto internacional.

E nunca vou esquecer. Eu sempre apreciarei a cidade de Memphis por isso: como eles simplesmente não me deixaram apenas jogar por eles - nah.

Eles estavam dispostos a deixar-me representá-los.

"... Tony Allen?"

Isso é o que as pessoas ao redor da liga estavam se dizendo, quando eu assinei com Memphis no verão de 2010. E cara deixe-me dizer-lhe algo: eles não falaram isso como um elogio.

Esse foi o verão, você deve lembrar, com a "The Decision" e tudo isso. Onde você tem todos esses agentes livres com salários altos grande voando em todas as direções: LeBron para Miami, Bosh para Miami, Amar'e para Nova York, Boozer para Chicago - todas essas cidades e eles estão formando com todos essas supostas super-times e outras coisas. E então havia Memphis, e o grande movimento foi....

Tony Allen.

Ninguém estava feliz com isso. Eu estou falando, ninguém. Se eles estivessem cobrando esportes na TV, esportes no rádio, naquele verão - você estava ouvindo eles dizendo a mesma coisa toda vez: "Todas essas outras equipes estão aqui fazendo grandes movimentos de agentes livres e, enquanto isso, os Grizzlies , eles apenas assinaram Tony Allen ?! "

É engraçado, cara, porque eu tive todos essas duvida quando eu cheguei. Mas, o quanto eu estava preocupado? Eu estava chegando a Memphis como a peça que faltava. Essa é a confiança do Boston Celtics Championship - é o que chamamos disso. Aprendi muito com Paul e Kevin e esses caras, mas logo no topo da lista, tem que ser como agir como um vencedor. Cara, nem mesmo como ser um vencedor. Isso vem depois. Mas é como agir como um, como se comportar assim. Como chegar em alguma cidade, em alguma quadra, e simplesmente deixar esse lugar saber. Deixe-os saber. Mesmo sem dizer nada. Deixe-os saber que você veio aqui apenas para uma coisa.

E é para ganhar.

Lembro-me de chegar e uma das minhas primeiras conversas com um colega de equipe - eu disse: "Estamos prestes a fazer barulho neste ano." E ele ri e balança a cabeça, e apenas olhando para mim, como "Cara, você está louco. "Não era como se ele não concordasse. Era mais como ele apenas dizendo: T.A., você traz essa vibração com você, essa grande conversa, de que não estamos realmente acostumados aqui. E nem foi essa grande conversa como swagger. Era mais como acreditar. Eu sabia  no que iria acontecer quando assinei - e eu sabia que eu acreditava em mim.

Então começamos lentamente no primeiro ano, começamos muito devagar. E, de repente, todos esses mesmos duvidosos eram como, Nah, irmão, veja, nós lhe dissemos - essa equipe não é nada. Eu lembro que até perdemos cinco seguidas no início da temporada e acho que estávamos algo como 4-9. E por um bom tempo lá, até eu era como, cara... eles estão bem? É isso?? Parecia que ninguém estava feliz. A cidade não estava feliz. Os fãs não estavam felizes. Os treinadores não estavam felizes. E você sabe melhor que eu não estava feliz. Não estava jogando tanto, não estava conseguindo os minutos como eu esperava... E agora estou começando a ter essas dúvidas.

Uma das coisas que as pessoas costumavam dizer sobre Memphis, é isso, é aí que os caras vão quando é o fim da estrada. Talentos como Antoine Walker, Allen Iverson, Darius Miles - e sem desrespeito a esses caras, eles são ótimos jogadores, mas era como: Memphis era onde eles iriam para o último contrato. Para esse contrato antes de tudo terminar. E assim, de qualquer forma eu lembro que é 4-9 ou o que você tem, e nós perdemos cinco seguidas, e eu estou pensando, cara... eu sou outro desses desses agora? Estou prestes a ser um desses caras que fizeram algumas coisas na liga, veio a Memphis, e então ele nunca mais ouviu falar de novo?

Eu vou te dizer o que, no entanto, não houve nem um ponto de virada. Nem um sequer. Eu acho que nesses artigos, é melhor quando há um grande momento como esse - esse grande ponto de inflexão onde toda a equipe se junta. Mas não há nem um, nesta história. É como se estivéssemos perdendo, sim. E nós duvidamos, sim. Mas algumas pessoas... Só estavam prestando atenção nisso. E essas pessoas, eles estavam pensando, são os mesmos velhos Grizzlies, o mesmo velho Mem. Mas se você realmente olhasse em volta? Olhou esse ano nesse nível mais profundo, mesmo no início quando estava indo mal? Você poderia dizer que este era um grupo que estava à beira de grandes coisas.


Você tinha Marc, você sabe, esse garoto estrangeiro - que nem sequer é um garoto estrangeiro!! Quando eu olhei pela primeira vez para a lista de jogadores, lembro-me de pensar, nós conseguimos esse jovem espanhol grande, legal. Mas então eu cheguei à cidade... e é como, bem, tudo bem. Acontece que ele é mais Memphis do que o resto da equipe junta. Ele cresceu em Memphis... Jogou no High School em Memphis... cara, Marc, ele estará ouvindo o Futuro. Ele é um verdadeiro. E não apenas fora da quadra. O que mais me ligou com Marc, logo após a batalha - é que ele odiava perder. Eu não acho que já conheci alguém que odiava perder mais do que eu odiava perder, até eu conhecer Marc Gasol. E é engraçado, cara. Porque, por um lado, talvez eu e Marc não pudessem ser mais diferentes. Mas então você brinca um pouco, e é como - oh, OK. Nós somos apenas que não admitem perder. É como se fossemos cortados do mesmo pano.

E depois há Mike, que tem sido meu filho desde o primeiro dia. Desde o dia em que nos encontramos. Ele sempre estava disposto a me ouvir sobre a defesa - e cara, estou tão orgulhoso de onde ele conseguiu chegar: não apenas como um dos cinco melhores armadores do planeta, mas também fazendo um trabalho defensivo também. Uma coisa que fez com que eu e o Mike nos dessem tão bem como backcourt era que todos seríamos líderes de maneiras diferentes. Mike, ele tinha todo esse talento cru dado por Deus, e ele estava aprendendo a ser um general em quadra. E eu acho que sempre fui muito bom, você sabe, ser um desses veteranos que deixaram o garoto suas coisas e aponta para onde ele deve ir - e deixar ele crescer como armador que precisávamos. Como, diga que há um jovem em algum lugar, e ele está dizendo a este veterano: "Eu, eu preciso que você pare de disparar todos esses arremessos e começar a procurar o passe quando você sair do corte" - e talvez o veterano não leve muito bem? Bem, então, as vezes a criança não cresce. Mas comigo e Mike, nunca foi assim. Sempre houve um imenso respeito. Ah, sim, nunca fiquei entusiasmado com a seleção de música do Mike. O garoto tinha Tevin Campbell na repetição, cara. Eu dizia para ele, "Nah Mike, esse R & B, você não pode escutar isso agora." Mas hey, ele fazia o seu trabalho.

E então, há Zach, e - cara, você falar sobre o Z-Bo, você está falando sobre um dos mais legais do mundo, um dos mais legais que você pode conhecer. Estou falando, sim, legal. Zach, cara... Ele é um desses, "Se é 30 graus negativos lá fora e ele tem uma jaqueta e um gorro, e você esqueceu sua roupa de inverno, ele está perguntando: Ei cara, está frio, você quer minha jaqueta ou meu beanie? "Tipo caras. E talvez não muitas pessoas esperem isso, porque ele é uma carga tão difícil na quadra. Mas Zach tem o maior coração de quem eu já joguei, e isso é a verdade. Como, honestamente, eu nem o considere como um dos meus colegas da NBA ou qualquer coisa. Z-Bo, nah - somos grandes amigos.

E então você me teve, cara. Eu não era o melhor jogador ou qualquer coisa, eu não era o cara do calibre All-Star. Mas quando eu olho para trás, acho que nossos times - eles foram feitos na minha imagem: não era a equipe de pontuação mais prolífica. Não chamávamos atenção de ninguém, nem jogávamos muito rápido. Mas nós vibravamos mais do que você. Nós jogávamos mais duros do que você. E é melhor você acreditar que todos estavam jogando com seus corações na defesa. Era como, antes que você soubesse - nós possuíamos uma identidade.

Então eu segui adiante e coloquei um nome nisso.

E cara, apenas começamos a... ganhar.

Foi louco. 4-9 virou para .500, então .500 virou-se para 10 jogos, depois 10 jogos mais viraram para 46 vitórias, depois 46 vitórias para os playoffs, e os playoffs voltaram-se para o confronto dos Spurs, então o confronto dos Spurs virou-se para nós chocando o mundo. E através de tudo - nós simplesmente continuamos dizendo: All heart. Grit grind. All heart. Grit grind.

All heart. Grit grind.

Eu juro que foi como, em uma temporada - de verdade, talvez em uma noite - toda a cidade mudou. "Grit and Grind", não era um slogan. Isso é o que nós éramos. Era como esse movimento. Como um estado de espírito. Grit e Grind significavam que você iria trabalhar mais, não importa o que. Isso significava que você iria orgulhar-se de onde você veio e representar esse lugar ao máximo. E isso significava que você iria colocar o mundo inteiro em aviso prévio: venha em nossa casa, é melhor você não estar procurando por cestas fáceis.

É melhor você estar pronto para ir 48 minutos.

E é melhor você estar descansado.

Esta não é minha carta adeus.

De certa forma, eu sei, é um adeus por um tempo. Eu sei que já não estou nos Grizzlies, e eu sei - pela primeira vez desde os meus dias de Boston - que vou chegar a Memphis para jogar basquete como oponente. E eu nunca menti para vocês, e não vou começar agora: será difícil estar do outro lado de tudo isso. Vai ser difícil entrar naquele tribunal esta noite, no meu novo uniforme, sabendo que nunca mais volto a colocar meu antigo.

Mas cara - isso ainda não é um adeus.

Volto em Memphis, de forma permanente, em algum momento. Eu posso garantir isso a você. Se for trabalhando para esta organização, ou trabalhando em algum outro lugar da cidade, ou apenas sendo um daqueles caras velhos que anda por Mem, comendo churrasco ou o que quer que seja, e um dia você vai bater em um idoso no ombro e vai dizer, esse é Tony Allen - cara, se é uma dessas coisas, ou se é outra coisa. Eu voltarei para Memphis. Sem dúvida.

Então, como eu disse, queria escrever isso - mas não é adeus.

Talvez vamos chamar de obrigado.


Obrigado a Chris Wallace, por me querer em sua equipe. Duas vezes.

Obrigado aos meus colegas de equipe - Marc, Mike, Z-Bo. Foi uma honra estar na quadra com vocês, e se tornar seu amigo fora. Não há mais um grupo de pessoas com quem preferiria curtir - e agora não é mesmo sobre basquete. Nós somos irmãos para sempre. Agora somos uma família.

Obrigado a todos na organização Grizzlies por juntar nossa equipe - e depois mantê-la em conjunto. E eu falo a todos: do dono ao pessoal médico, equipe de segurança,  condicionamento físico, a todos os nossos treinadores... A todos. Para toda a franquia Grizzlies. Obrigado. Quando cheguei pela primeira vez, em 2010, serei sincero: não tinha certeza se Memphis era uma cidade da NBA. Mas eu vou te dizer o que é agora, com certeza. E é por causa de vocês.

Obrigado a todos os meios de comunicação de Memphis, por terem tido tempo para conhecer-me e contar a minha história de forma justa. E muito obrigado a Chris Vernon especialmente - por acreditar em mim, e depois me mostrando todo o caminho até que todos começaram a ouvir. Eu sei que muitas pessoas pensam que os atletas não ligam para a mídia. Mas não foi assim para nós em Memphis. Parecia que todos tinham uma voz em nosso movimento - e as pessoas que o cobriam, as suas eram tão importantes quanto as de qualquer pessoa.

E obrigado a todos os que me apoiaram nos últimos sete anos. Qualquer um que usasse uma dessas camisas com o número 9, ou aquelas camisetas de G&G, ou apenas fez algum barulho quando anunciaram meu nome - nunca tirei nada disso por certo. Às vezes eu olhava para o Fórum durante o aquecimento, e eu podia sentir aquela vibração no ar. Seria como, cara - nós conseguimos alguns novos fãs de Grit & Grind na casa esta noite. Sempre lembrarei disso, sempre lembrarei dessas noites. Porque eu sabia que tínhamos algo... Mas a idéia de que estávamos construindo algo? Foi o que foi o mais especial. Foi esse sentimento, que me fez querer trabalhar tão duro para todos vocês.


Então, você sabe - obrigado por tudo, Memphis. Eu sei que não era perfeito... Mas o tempo que passei aqui era. Eu vim como um jovem jogador e sai como um Grindfather.

Eu vim procurar uma equipe e encontrei uma casa.

E espero que você ainda me lembre de um pouco por isso. Espero que vocês se lembrem de como deixei tudo em quadra, todas as noites. Espero que você se lembre da série contra o Spurs e da série  contra Clippers, da série contra OKC e de todas as outras. Espero que você se lembre de como criamos uma identidade para se orgulhar nesta cidade, uma identidade que se tornou maior do que o basquete. E você sabe o que, se isso é demais - então espero que você se lembre de mim como o cara do aeroporto. Última pessoa que você viu ao sair. Primeira pessoa que você viu ao entrar. Era eu, cara. Eu era Memphis. E foi uma das maiores experiências da minha vida.

Grit and Grind para sempre, você entende?

Todo o coração. Voe Mem.

Eu vou ver todos vocês em breve.

-T.A.

Carta traduzida por mim.
O link para a carta original no Players Tribune está aqui.
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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Sem Spoilers

Harry Giles, Power Forward / Sacramento Kings - The Players' Tribune
Desde que eu estava no colégio, chegar na NBA parecia muito perto e muito longe. Basicamente, dependia quando você me perguntasse. Tive algumas lesões, obviamente. Tive que aprender a ser paciente. Mesmo agora, que estou aqui em Sacramento, em um time da NBA, ainda tenho que ser paciente.

No geral, porém, não tenho arrependimentos. As lesões - eram coisas que eu não conseguia controlar. Mas caso contrário, não há muito que eu voltaria e fizesse diferente.

Bem, talvez exista uma.

Havia um tweet.

Você vai ver, eu já estive em Sacramento antes, em 2014. Eu tinha 16 anos, um estudante de segundo ano da Wesleyan Christian Academy na Carolina do Norte. Fiquei entediado um dia na academia durante um torneio de viagem com a minha equipe da AAU. Eu não estava jogando. (Chegarei ao porquê em um minuto). Como descobri o caminho mais difícil, o tédio e o aplicativo aberto no Twitter precisava de apenas tempo para que um desastre acontecesse.
Sim, eu sei... nada bom! Agora que volto em Sacramento para treinar com o Kings, estou pensando sobre esse tweet novamente. Para Sacramento, peço desculpas por dizer algo sobre o qual eu realmente não sabia.

Eu estava tão frustrado que eu não podia jogar. Eu me lembro daquele sentimento até hoje. Eu estava inquieto, apenas assistindo todos os jogos no banco na minha roupa de rua. Lembro-me de estar no meu quarto de hotel por muito tempo esse fim de semana - com o Twitter aberto, ou estaria olhando meu telefone apenas checando as coisas. Eu não conhecia Sacramento como uma cidade. Tudo o que estava vendo era a área ao redor do meu hotel e da academia. E lá por perto. Não havia muito o que fazer e nada para comer. (Ouvir, In-N-Out é sólido, mas não tem muito o que comer fora. Confie em mim sobre isso.)

Então, você pode ver como meu tweet saiu. Tédio, frustração e Twitter - cara, é uma receita para o desastre.

Parece burro agora, acredite, eu sei disso. Mas você sabe o que? Eu definitivamente aprendi algumas coisas.

Por um lado, você nunca sabe onde você vai parar. Então é bom manter uma mente aberta, onde quer que esteja. Mais fácil de falar do que fazer às vezes.

Eu estava tendo dificuldade nesse período da minha vida. Eu não acho que eu percebi isso, então, mas é óbvio agora. Eu estava na reabilitação pela primeira vez na minha vida - eu não sabia o que poderia estar do outro lado. Não jogando basquete, o esporte com o qual eu estava obcecado desde que eu fiz oito anos, estava me corroendo. Basquete era minha identidade. De repente, eu não tinha isso.

Um dos meus treinadores do Duke, Jon Scheyer, disse uma vez: "Ninguém passou por mais do que Harry." Não é exatamente assim - eu tive uma boa vida, fui abençoado com uma boa família que me apoiou mesmo no recrutamento e a atenção ficou bastante louca. (Minha mãe em particular - ela é minha maior líder de torcida e esteve ao meu lado para absolutamente tudo.)

Mas falando estritamente basquete, talvez haja alguma verdade ao que treinador disse. Antes do meu 18 anos, passei por duas lesões duras nas pernas  - primeiro rompi o ACL da perna esquerda e MCL e depois rompi o ACL da perna direita. Tudo ficou um caos. Muitas pessoas questionaram meu futuro de basquete. Às vezes, eu mesmo questionei como tudo ira acontecer.

Em 2013, eu era um garoto feliz, de 15 anos, no meu segundo ano de ensino médio no Wesleyan Christian, em High Point, Carolina do Norte. Um dia no verão antes da escola começar, duas coisas importantes aconteceram. Lembro-me do dia muito bem porque os rankings nacionais de basquetebol do ensino médio estavam saindo. Naquela manhã eu acordei para ler que vários pontos de vista que me incluíam como o jogador de basquete número um do segundo ano do país.

Era tudo o que eu imaginava que seria.

No mesmo dia, rompi o ACL e o MCL no meu joelho esquerdo em um jogo de basquete pelos EUA.

Muito por um dia.

Imediatamente, eu estava planejando o quanto eu poderia voltar ao quadra. Eu ouvi dizer que uma lesão do ACL geralmente leva cerca de um ano para curar, dar ou demorar alguns meses. Então eu poderia estar de volta, quase com força total, para os meus anos júnior e sénior do ensino médio. Eu poderia mostrar às pessoas que nada havia mudado.

E ainda poderia voltar para o n. ° 1, pensei.

Há muito tempo.

Fiz tudo o que me pediram para fazer. Fiz uma reabilitação de uma a duas horas todos os dias por mais de um ano. Aprendi muitas coisas sobre meu corpo. O ACL e o MCL são os ligamentos que mantêm seu joelho juntos, então, mesmo quando meu joelho começou a curar, perdi uma tonelada de minha força inferior do corpo por causa da inatividade. O meu quadril se deslizou para nada. Minha força e velocidade desapareceram. Eu tinha que construir tudo de novoe, em seguida, também encontrar uma maneira de começar a confiar novamente no meu corpo uma vez que eu voltasse a quadra.

Olhando para trás agora, havia uma coisa afortunada sobre isso - e é que eu não sabia quanto de reabilitação eu teria que fazer. Porque se eu soubesse, aos 16 anos? Eu talvez não teria preparado para lidar com a dor e o trabalho que isso realmente levou.

Era lento, mas em algum momento, eu comecei a sentir novamente o velho Harry.

Eu cheguei perto de algo como força total durante meu primeiro ano. Eu finalmente comecei a confiar que eu ainda poderia ser o jogador que queria ser, mesmo com a lesão. No final do primeiro ano e na primeira parte do último ano - isso é quando o recrutamento está no seu auge - muitos instrutores da faculdade D-I estavam enfileirando as arquibancadas em meus jogos. Eu senti como se estivesse de volta... mas, ao mesmo tempo, na minha cabeça eu podia ouvi-los imaginar, Harry Giles ainda era o jogador que ele costumava ser?

Depois de um ano de trabalho árduo, dei a volta por cima - grande momento. Eu tinha ofertas de todos os maiores e melhores programas do país, e alguns deles estavam chegando até mim ainda mais do que antes da minha lesão. Quando os rankings dos finais do ensino médio saíram antes da minha temporada sénior, voltei para o nº 1. Eu tenho que admitir, depois de tudo o que eu tinha passado, me senti bem.

Eu era tudo o que eu queria, indo para uma grande temporada sénior que - com sorte - seria seguida por um ano em um programa de uma faculdade de alto nível. Eu decidi transferir para Oak Hill Academy, o melhor programa de ensino médio do país, para a minha temporada sénior. Eu queria jogar um cronograma nacional contra a melhor competição. Eu queria provar de uma maneira que ninguém poderia duvidar.

Então o impensável aconteceu.

Dois minutos para o início da temporada no meu último ano, rompi o ACL. Novamente. Desta vez, foi meu joelho direito.

Cara, pensei que a primeira reabilitação era difícil.

Não tinha ideia do que estava prestes a passar.

Uma coisa é passar por uma lesão como uma lágrima ACL uma vez, mas a segunda vez, você sabe exatamente como a recuperação será dura, e quão baixo seus espíritos poderão te deixar durante esse período. Então, a segunda vez, a batalha mental foi apenas muito, muito mais difícil.

Mais uma vez, tive que me fazer algumas perguntas difíceis:

Eu sou capaz de me recuperar dessa lesão... novamente?

Será que eu serie o mesmo jogador que eu era?

Na verdade, pula isso.

Será que eu serei o jogador que eu imaginei?

Depois de um tempo, descobri que toda essa ansiedade faria mais mal do que bem.

Comecei a reabilitar... novamente. Perdi minha temporada sênior. Por sorte, ainda tive interesse dos principais programas.

Eu me comprometo com Duke.

Achei que se eu me reabilitasse como na última vez, eu poderia voltar para onde eu queria estar a tempo para a temporada da faculdade.

Eu estava errado sobre isso.

Assim que cheguei a Duke, meus médicos disseram que precisaria de uma terceira cirurgia, desta vez um procedimento artroscópico no meu joelho esquerdo. A equipe de Duke estava extremamente compreensiva - eles me deram a opção de se sentar e reabilitar o tempo que eu precisava, mesmo que isso significasse que eu não soaria uma gota na temporada de novato. Eles estavam comigo durante todo o caminho.

Mas eu tinha minha mente fechada.

Eu disse ao Coach K: "Não vim aqui pra não jogar".

Eu planejei entrar naquela quadra o mais rápido possível.

Aquela equipe do Duke - tinha muito hype em torno de nós. O treinador trouxe uma incrível classe de calouro, incluindo meu amigo Jayson Tatum de St. Louis, um cara com quem eu me aproximei muito no nosso tempo no EUA Basketball. As pessoas estavam prontas para nos entregar o campeonato nacional antes de chegarmos ao campus.

Por causa da cirurgia recente, não pude ir para a quadra imediatamente com os caras. Isso me matou. Não há nada como Cameron Indoor e eu estava morrendo de vontade de sair lá. Eu estava tentando me concentrar apenas em ser um calouro. Mas não poder ajudar minha equipe a se preparar e praticar foi um ajuste difícil. O fato é que eu simplesmente não estava saudável quando estava em Duke. Era assim que estava - algo muito longe do que eu imaginava que seria.

Eu estava pensando comigo, jogar  com tempo limitado era mais difícil do que NÃO jogar, na minha opinião.

Esse era o meu nível de frustração.

Novamente, levaria tempo. Jogar tornou-se uma experiência nervosa, mas minha confiança cresceu dia a dia, e eu sabia que não podia deixar algumas performances frustrantes em Duke e desfazer o que eu construí. Eu não cheguei ao começo que queria, mas senti que estava voltando para onde eu queria estar.

Então o tempo acabou em Duke. Depois de obter algumas  opiniões de que eu seria uma escolha de primeira rodada, eu decidi dar o próximo passo.

Não vou mentir - Admito que estava preocupado ao ouvir todo tipo de coisas diferentes sobre minhas perspectivas preliminares. Todas as pessoas estavam falando sobre meus joelhos e não sobre o tipo de jogador que eu poderia ser. Não tenho certeza de já ter ficado mais nervoso do que 22 de junho de 2017.

Acabei sendo convidado para o Green Room, mas eu decidi assistir em casa em Winston-Salem, com minha família e meus garotos. Quanto mais perto o draft ficava, mais e mais nervoso eu me tornava. Eu só queria que terminasse. Parecia que havia uma tonelada de tijolos nas minhas costas. Eu pensei, por favor, Deus, deixe alguém me escolher para que eu possa comemorar com toda a minha família aqui e não parecer um idiota.

Então fui pego. No. 20. Sacramento Kings.

A primeira coisa que eu pensei depois da fuga inicial de adrenalina?

Obrigado Jesus.

A segunda coisa?

Tenho alguns tweets para excluir.

Mas o engraçado é, eu tenho metade desse tweet certo! Eu era o cara mais feliz.

Depois que eu fui escolhido, fiquei emocionado. Foi um alívio, e estou tão feliz por ter comemorado com as pessoas que sempre estiveram lá - essa foi a decisão certa. Por coincidência, enquanto estou processando isso, obtive um texto diretamente do CP3, um mentor para mim e outro cara de Winston-Salem. Disse:

"Agora, estamos na NBA, representando a mesma cidade. Você pode obter tudo o que quiser se você definir sua mente para isso ".

Ele assinou com isso:

"Vamos ao trabalho."

Isso me fez refletir sobre tudo o que aconteceu até então.

Todo mundo quer ir no. 1, mas essa não é a realidade. Apenas um cara conseguiu isso e aquele cara, Markelle Fultz, absolutamente merecia. No final do dia, sinto-me abençoado por estar na NBA, não importa a escolha. Porque agora tenho a chance de me provar, como todos os outros na minha classe.

Eu também percebi algo sobre hype - nunca vai se estabelecer. Nunca vai desaparecer. Como eu era o jogador número 1 no ensino médio, sempre haverá artigos que dizem eu que não cumprí as expectativas. Neste ponto, sinto que tenho ouvido isso desde os 15 anos de idade.

Mas aqui está a coisa - é basquete. Esses tipos de comentários e artigos não importam tanto quanto eu pensava. Quando as pessoas me perguntam por que não deixo que as críticas me incomodem, eu digo, porque é basquete. Você sabe o que eu quero dizer? Eu jogo o jogo que amo todos os dias. Essa é a perspectiva que ganhei trabalhando através de duas cirurgias de ACL - eu tive que trabalhar para ser o melhor jogador que eu poderia ser e não me preocupar com as outras pessoas da minha classe. Muitas pessoas gostam de ler críticas e classificações, mas se você continuar lendo todos os comentários negativos, isso mata você. Você está envolvido nela. Chega na sua cabeça. Eu realmente me preocupava com os rankings - era uma maneira de ver como você está, a nível nacional. Era apenas um objetivo que você definiu para ver se conseguia chegar lá. Mas, eventualmente, eu aprendi que é só um barulho que você não pode ler demais, ou então você sempre terá essas críticas sobre você.

Na noite do draft, o CP3 me enviou uma mensagem que também me acompanhou. Ele me disse: "Trabalhe duro, compita e construa sobre a base que você já colocou".

"Depois disso", acrescentou. "Tudo é possível."

Foi quando isso me atingiu. Minha determinação sempre terá que vir de dentro. Lesões e contratempos, isso depende de Deus. Mas seus objetivos, seus sonhos, sua unidade para reabilitar uma lesão difícil - tudo isso está no seu controle.

Você vê, eu sempre tive uma grande imaginação. Quando criança, sonhei em ouvir meu nome chamado na noite do draft, com certeza. Mas eu também fantasiava sobre ser o cara que marcava pontos e acerta o arremesso vencedor do jogo. Eu seria o cara que faz jogadas ofensivas e defensivas para selar um jogo.

Sonhei ser um Franchise Player

Sacramento, escute - Estou aqui para trabalhar para ser o jogador que eu imaginei. Quando fui escolhido na 20 posição, fiquei tão animado que eu poderia ir a um lugar como Sacramento, onde eu poderia realmente me desenvolver. Para mim, a 20ª escolha era como uma escolha de loteria. Porque foi uma chance.

Agora sou novato, não mais do que isso. Estou pronto para começar minha nova vida aqui. Sacramento é uma franquia comprometida com o desenvolvimento do grupo jovem que temos, e acho que não há um lugar melhor para mim. Deus sabia exatamente o que ele estava fazendo, eu estou exatamente onde eu deveria estar. Estou pronto para mostrar o que eu tenho.

Minha história até agora é sobre contratempos. Já estive por baixo antes. Voltei melhor. Passei por tudo isso em uma idade jovem, e eu acho que isso fez minha determinação ser maior do que eu poderia imaginar que fosse aos 19 anos. Agora eu sinto que estou em uma missão.

Então, o que é o próximo para mim? Não consigo prever. Eu acho que você vai ter que esperar nisso.

Eu não gostaria de estragar uma boa história.


Carta traduzida por mim.
O link para a carta original no Players Tribune está aqui.
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terça-feira, 3 de outubro de 2017

Obrigado, GOAT


Frank Ntilikina, Point Guard / New York Knicks - The Players' Tribune
Michael Jordan me contou a coisa mais incrível que já ouvi.

Eu não nem tinha idéia de que iria encontrá-lo. Eu era ninguém. Bem, não um ninguém. Como, como você diz ... J'étais juste un mec normal. Apenas um cara normal. Dezesseis anos de idade. Um magrelo jogador de basquete  de Estrasburgo, França. Fui convidado a comparecer ao Jordan Brand Classic.

Foi a minha primeira vez na América, e o que eu conhecia da cidade de Nova York era através de filmes de hip-hop e do programa de TV FRIENDS. Meus irmãos costumavam assistir esse show o tempo todo. Joey. Monica. Chandler (Chand-leur). Sentado em uma grande cafeteria. Sempre amei essa ideia de América.

Lembro-me de ter desembarcado na JFK e estávamos dirigindo para Manhattan - e talvez isso vá parecer estúpido - mas pensei que era tão legal ver todos os táxis amarelos na rodovia. Nossos táxis não são amarelos na França. Taxis amarelos com as letras negras - isso é América para mim. Então eu vi os arranha-céus, de muito muito longe, e era como, Uau. Estou realmente aqui. Estou realmente alcançando meu sonho.

Eu sabia que era chamado de Jordan Brand Classic, mas na minha cabeça, eu nunca pensei que realmente veríamos Jordan. Isso é como dizer que você vai para a igreja e você vai ver Deus, você sabe? É o Jordan.

Então chegamos à arena no Brooklyn e há um monte de jogadores lá. Estamos fazendo algumas coisas e, em seguida, alguém nos leva a uma pequena sala. Estamos lá esperando talvez cinco minutos, e ninguém sabe o que está acontecendo. Talvez a mídia queira nos falar ou algo assim? Estamos esperando, esperando ...

E então, Michael Jordan entra.

The GOAT.

Ele está logo ali.

Eu estou como…

Posso mentir no Players Tribune?

Eu sou como, Oh s ***. MJ.

É engraçado, mas meu primeiro pensamento foi, Oh, meu Deus. Ele mudou.


Não pensei nisso como um cara mais velho, sabe o que quero dizer? Conheci o jovem MJ do YouTube. Então ele começa a falar com todos os jogadores, dizendo: "Bem-vindo a Nova York", e todas essas coisas. E então ele vai ao redor da sala, comprimentando as mãos dos caras. E eu sou como, O.K., você tem que lhe fazer uma pergunta. Você tem apenas uma chance.

Mas eu sou tão tímido. Não - mais do que tímido. Qual é a palavra em inglês? Estou pétrifé. Eu estava tremendo um pouco, e eu tive uma pequena voz.

Então eu disse: "Olá, Michael. Posso perguntar-lhe, qual é a chave para todo o seu sucesso? "

MJ olha para mim. Ele demora um segundo.

Eu pensei com certeza que ele iria dizer o que todos me diziam quando faço essa pergunta. Todos dizem algo sobre trabalho duro. É o MJ. Ele vai me dizer para trabalhar mais do que todos, 100%.

Mas ele não diz isso. Ele diz algo realmente surpreendente. Eu pensei sobre isso o dia todo. Pensei nisso toda a semana. Ainda penso nisso.

Você sabe o que ele disse?

Você vai ter que esperar!

Se eu lhe disser agora, basta clicar na página. Você volta para o Instagram ou o que for. Eu sei como isso funciona. Eu faria o mesmo. Mas você tem que ouvir mais algumas coisas antes de entender porque a resposta da MJ foi tão incrível para mim. Não vai fazer sentido se eu não falar sobre Ruanda, e NBA 2K, e outras coisas.

A NBA foi o meu sonho. Sempre. Meu sonho. Minha família veio à Europa de Ruanda durante a guerra. Minha mãe escapou com meus dois irmãos mais velhos, Brice e Yves, antes mesmo de nascer. Eles foram para a Bélgica primeiro, e nasci lá e depois nos mudamos para a França quando eu era jovem. Durante muito tempo, não sabia nada sobre o que a minha família havia passado na guerra. Na minha cabeça, eu era apenas um garoto francês. Eu amava jogar videogames e amava o basquete. Meus irmãos me levavam para a quadra para jogar um contra um, e eles chutavam meu traseiro. Então, voltavamos para casa e iriamos jogar NBA 2K. E, pelo menos, no vídeo game, às vezes eu iria chutar o traseiro deles.

Durante todo o tempo, estaríamos fazendo trash talk. Eu simplesmente amei basquete. Eu não sei por que, eu simplesmente amei. Eu sempre gostava de ficar acordado a noite toda e assistir os jogos da NBA na TV com meus irmãos, mas minha mãe me dizia não. Ela era uma enfermeira, e ela trabalhou como louca. Ela tinha locais de trabalho, e então, quando ela chegava em casa, ela basicamente cozinharia para nós e depois se deitaria. Quando ela estava dormindo, você não deveria mexer com ela. Então eu me lembro durante as finais da NBA de 2007, eu tinha oito anos e queria ficar acordado. Foram as primeiras finais de LeBron, contra Tony Parker e os Spurs. Eu tinha que assistir. Eu implorei a minha mãe. Ela disse de jeito nenhum.

Eu fui para a minha cama, mas eu sabia que meus irmãos estavam na sala de estar vendo o jogo, então eu não consegui adormecer. Eu saio do meu quarto muito triste, implorando-os. Eles disseram: "Não, vá dormir!" Estou implorando, implorando. Depois de tanto pedido, eles ficaram tão irritados comigo que disseram: "O.K., você pode assistir, mas cala a boca. Ne fais pas de bruit! "

Não poderíamos acordar a mãe. Então, assistimos todo o jogo com o volume realmente baixo, sem fazer som. Quando Tim Duncan fazia algo incrível nós ficavamos loucos... Mas em silêncio. Vocês sabem, agarrando os braços, agarrando-se, como VOCÊ VIU? Mas muito silencioso.

É uma ótima lembrança para mim. Eu sabia, mesmo quando eu tinha oito anos que queria jogar na NBA algum dia. Meus irmãos realmente apoiaram esse sonho, vai parecer engraçado se você não os conhecer. Como quando iríamos para a quadra - quando eu digo que eles estavam chutando minha bunda, eu realmente quero dizer chutando minha bunda. Eu tinha oito anos Mas sem piedade. Bloqueando-me, igual o Dwight Howard. Eles eram como, "O.K., se você quiser, você deve trabalhar nesse movimento, você tem que jogar dessa maneira, você tem que ser difícil".

Eles eram meus irmãos. Eu pensei que eles eram muito legais. Mas eu não sabia o quão difícil eles estavam pegando. Um dia, nunca esquecerei, queria jogar a NBA 2K. Então fui ao quarto de Brice e sua porta estava fechada. Abro a porta, e eu digo: "Vamos lá, vamos jogar".

Ele diz: "Não, eu não posso. Estou estudando.

Estou triste. Eu vou ao quarto do meu outro irmão, e ele diz o mesmo.

Eu sou como, o que está acontecendo? Esses caras estão loucos. É a hora de jogar 2K.

Eu estava sozinho! Então eu saí e joguei basquete na quadra. Voltei horas depois e suas portas ainda estavam fechadas. Abro a porta ao quarto de Yves.

Ele está como, "Ainda estudando".

Então eu digo: "O que você quer dizer? Por que você estuda tanto? "

Ele diz: "Faculdade de Medicina".

Eu estava como, faculdade de medicina? Meu irmão?


Eles ficaram em seus quartos a noite toda. Eles só saíram para o jantar. E eu lembro de comer com eles e minha mãe, e todos estavam tão cansados. E eu era como ... O.K., entendi. É assim que você tem que buscar seus sonhos.

O que não entendi foi de onde veio esse espírito. Eu sabia que eles vieram de Ruanda e que queriam uma vida melhor, mas toda vez que perguntei a meus irmãos sobre Ruanda, eles diriam: "Você não quer saber. Esqueça."

Eu sabia que havia alguns livros sobre Ruanda e a guerra na estante de livros do meu padrasto. Então, um dia, fiquei lá e abri esse grande livro. Eu realmente não entendi todas as palavras, mas vi todas essas fotos da guerra...

Cadáveres por todo o chão. Nada de soldados. Mulheres e crianças.

E isso é tudo que eu tinha que ver. Fechei o livro e voltei.

E eu estava pensando, Oh, meu Deus. Minha mãe e meus irmãos estavam lá? Eles realmente viveram isso?

Não contei a ninguém sobre o livro. Eu fingi que nunca soube sobre isso. Mas quando eu vi essa foto, eu realmente comecei a entender por que todos na minha família estavam trabalhando tão duro. Eu tentei fazer o mesmo, mas apenas com basquete. Quando eu tinha 12 anos, eu fui a uma escola especializada em basquete e eles começaram a falar sobre as equipes profissionais na França e o que é preciso para chegar a esse nível.

Então eu estava como, O.K., esse é o primeiro objetivo.

Quando eu tinha 15 anos, assinei com a academia juvenil de SIG Strasbourg e comecei a jogar para o clube profissional muito rapidamente depois disso. Então com 16 e 17 eu fui  jogar no exterior no torneio FIBA ​​sub-18 e no Jordan Classic e até cheguei a Toronto para o Basketball Without Borders. Eu estava fazendo um bom salário - não dinheiro pra maluco, mas o suficiente para não me preocupar. E então eu disse a minha mãe para relaxar. Eu disse: "Você tem que parar de trabalhar dois em lugares. Você precisa relaxar um pouco. "


E nunca vou esquecer o que ela me disse.

Ela disse: "Vou parar quando todos os meus filhos alcançarem seus sonhos".

Eu disse: "Mãe, Yves é um cirurgião. Brice é fisioterapeuta. Sou um jogador profissional. Nós estamos bem."

Ela disse: "Este não é o seu sonho. Seu sonho é jogar na NBA. Eu só vou relaxar quando você alcançar o seu sonho."

Então, agora chegamos à minha parte favorita da história. Não MJ. Ainda não.

Agora chegamos ao Draft da NBA de 2017 no Brooklyn. Foi tão louco porque na noite anterior ao Draft, minha equipe estava jogando no jogo 4 da final da Liga Francesa! Eu não queria desfalcar meu time, mas não queria perder o melhor momento da minha vida. Então peguei um avião após o jogo com minha família e voamos de Paris para Nova York. Foi o mesmo que três anos antes. Aterrissando em JFK. Viu todos os táxis amarelos. Viu os arranha-céus. Mas agora estou prestes a ser draftado. Foi louco.

Não tinha idéia para onde eu iria. Eu vi no Twitter que os Knicks estavam interessados ​​em mim, mas eu sabia que era eu e alguns outros caras que eles gostavam. E eu não queria colocar nada na minha cabeça, você sabe? Eu não queria me decepcionar. Então, quando chegamos ao greenroom, eu disse ao meu agente: "O que quer que aconteça, não me diga! Eu sei que um cara vai estar soltando as bombas no Twitter, e não quero arruinar o momento. Deixe-me ouvir isso do comissário. "

Meu agente é como "Qual é".

Eu disse não! Sério, não me diga. "

O Draft começa, e Adam Silver subiu ao palco e foi como... Como posso descrever o sentimento?

É como... Quando eu tinha 13 anos, eu estava assistindo o Draft da NBA 2012 na TV em casa e quando Anthony Davis foi escolhido, tirei uma foto e postei no meu Instagram, "Onde os sonhos são feitos".

E agora estou sentado aqui de verdade. Meus irmãos estavam rindo de mim, porque eu estava tão angustiado. Eu não estava relaxado.

Meu agente tinha um pequeno notbook. Logo antes de Adam Silver ir para o pódio para anunciar uma escolha, meu agente receberia algumas notícias de seu telefone e ele iria riscar um nome em seu livro.

Escolha 1. Eu vejo ele riscar um nome fora. É Fultz.

Escolha 2. Eu vejo ele riscar um nome fora. É Lonzo.

Estou tentando não olhar para ele, mas estou olhando pelo canto dos meus olhos porque não posso me conter.

Escolha 3. Risca um nome. Escolha 4, 5, 6...

Minnesota tinha a 7. Eles trocaram a escolha para Chicago. Ele risca um nome fora. Eles escolhem Lauri.

Os Knicks são os próximos.

Meus olhos estão indo para frente e para trás. Estou tentando não olhar.

De repente, vejo-o riscar um nome ... e ele fecha o notbook.

Eu sou como… !!!

Eu tinha o meu telefone no meu bolso. Não queria olhar. De repente, meu telefone está explodindo com mensagens de texto. Está tremendo no meu bolso.

Eu sou como … !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Estou olhando para a frente, e eu estou dizendo a minha família: "Cale a boca! Não diga nada! "

Adam Silver chega ao palco.

"Com a oitava escolha no draft da NBA em 2017, o New York Knicks selecionam... FRANK...".


Fui bem até chegar nos bastidores com minha família. Então chorei.

Tivemos que voltar ao avião para a França naquela noite, para que eu pudesse jogar nas finais, e quando estávamos no ar, eu disse à minha mãe: "O.K., todos os seus filhos alcançaram seus sonhos. Agora você pode relaxar ".

Ela disse: "O.K., agora eu posso relaxar".

Eu não posso relaxar. Meu sonho está começando agora. Eu vou jogar basquete na maior cidade do mundo.

Então, vou dizer o que MJ me disse quando tinha 16 anos.

Eu disse: "Olá, Michael. Posso perguntar-lhe, qual é a chave para todo o seu sucesso? "

Ele pensou sobre isso. Então ele disse: "O que você tem a fazer é amar o basquete. Você não pode ser ótimo, a menos que você realmente ame o jogo. Uma vez que você ama o basquete mais do que qualquer outra pessoa no mundo, então você está disposto a sacrificar. Você está disposto a acordar cedo. Você está disposto a fazer o que é preciso para ser o melhor. Mas primeiro, você tem que realmente amar."

Parece simples, mas quanto mais eu pensei sobre isso, mais fazia sentido na minha vida. Muitas pessoas estão perguntando: "Quão bom você acha que pode ser? Qual é o seu teto? "Eu não conheço a resposta. Não sei o que vai acontecer na NBA. Mas eu sei que amo o jogo mais do que qualquer coisa.

Então, você tem isso - é por isso que ele é a lenda. Estive pensando no que ele disse nos últimos três anos.

Obrigado por seu conselho, Sr. Jordan.

Merci, GOAT.

Carta traduzida por mim.

O link para a carta original no Players Tribune está aqui.

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